Introdução

Ao longo de milhares de anos, diferentes civilizações desenvolveram formas de produzir alimento em equilíbrio com a natureza, construindo um patrimônio de conhecimento que hoje inspira uma das mais importantes estratégias para o futuro da humanidade: a agrofloresta. Muito antes da ciência moderna, povos tradicionais compreenderam que a prosperidade dependia da conservação dos ecossistemas, estabelecendo práticas que hoje são reconhecidas pela pesquisa científica como fundamentais para a regeneração ambiental, a segurança alimentar e a preservação da biodiversidade.

Diante dos desafios globais do século XXI, este plano de trabalho propõe transformar esse legado ancestral em uma plataforma de pesquisa aplicada, inovação, formação e desenvolvimento territorial. Mais do que implantar sistemas agroflorestais, busca preservar, ampliar e compartilhar um conhecimento construído ao longo de milênios, conectando saberes tradicionais, ciência e tecnologia para desenvolver soluções regenerativas capazes de beneficiar as gerações presentes e futuras.

Investir em agrofloresta é investir na capacidade da humanidade de produzir riqueza regenerando a natureza, consolidando um modelo de desenvolvimento alinhado aos mais elevados princípios internacionais de sustentabilidade, biodiversidade e inovação.

BioCERNE · Master Plan 2026–2035
BioCERNE · Master Plan 2026–2035

I N S T I T U T O N O V A D I M E N S Ã O

Bio CERNE

Center for Regenerative Studies of the New Era

Applied research in agroforestry, bioeconomy and regenerative territorial development

WORK PLAN · MASTER PLAN 2026–2035

São Sebastião Site — Terra Roxa · São Paulo · Brazil

2026

Proponent · Instituto Nova Dimensão

Technical development · ElevaD Consultoria

BioCERNE

Center for Regenerative Studies of the New Era

WORK PLAN

Work plan estruturado segundo padrões internacionais de management de projetos (estrutura de work packages, logical framework, milestones, budget e monitoramento), elaborado para apresentação a investors, multilateral organizations, universities e parceiros institucionais, com vistas à estruturação, ao financiamento e à implantação de um centro de pesquisa aplicada em agroforestry, bioeconomy e territorial development regenerativo, alinhado às normas internacionais de management da biodiversity.

Proponent: Instituto Nova Dimensão

Technical development: ElevaD Consultoria

Terra Roxa — São Paulo — Brazil

2026

TABLE OF CONTENTS

1 Executive Summary 4

2 Institutional and Territorial Overview 5

3 Context and Rationale 7

4 Positioning and Institutional Identity 11

5 Strategic Differentiators (the competitive moat) 12

6 Vision, Mission and Objectives 14

7 Operating Model: The Five Pillars 16

8 Work Plan: Work Packages (WP) 19

9 Implementation Phases 23

10 General Timeline 25

11 Governance and Compliance 26

12 Financial Model and Sustainability Plan 28

13 Impact Indicators and Monitoring 32

14 Logical Framework (logical framework) 34

15 Risk Analysis and Mitigation 35

16 Alignment with Global Agendas 36

17 Expected Results and Legacy 37

18 Conclusion and Next Steps 38

References 39

1 EXECUTIVE SUMMARY

O Sítio São Sebastião , em Terra Roxa/SP, será estruturado como o BioCERNE — Center for Regenerative Studies of the New Era : a strategic knowledge infrastructure that integrates, within a single living and operating territory, applied scientific research, technology validation, human development and territorial development in agroforestry and regenerative systems.

The problem. More than half of global GDP — cerca de US$ 44 trilhões — depends on nature, and biodiversity loss already ranks among the three greatest global risks of the decade. The world has set targets (to restore 30% dos degraded ecosystems até 2030) e, for the first time, has an international standard para incorporá-la — a ISO 17298, published in October 2025. Falta o que sempre faltou: a permanent infrastructure capable of turning commitment into a replicable and auditable method.

The opportunity. Brazil is the most biodiverse nation on the planet e assumiu o compromisso de to restore 12 million hectares até 2030 (Planaveg 2.0), with agroforestry as its central method. A transição para uma economia nature-positive representa, segundo o Fórum Econômico Mundial, US$ 10,1 trilhões em business opportunities e 395 milhões de empregos até 2030. O mercado global de agricultura regenerativa cresce a dois dígitos ao ano — e a agroforestry é o seu maior segmento.

The solution. Não uma fazenda experimental, mas uma infraestrutura estratégica de conhecimento : um território que já opera com sistemas agroforestryis consolidados, no coração do maior polo agroindustrial do país, capaz de desenvolver, validar, demonstrar e ensinar soluções em padrão internacional — alinhado à ISO 17298, à ISO 14001 e ao Milestone Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal.

The execution model. O plano se organiza em cinco pillars (pesquisa, inovação, educação, territorial development e internacionalização), sete phases de implantação e seis pacotes de trabalho com entregáveis, milestones e budget definidos, ao longo de uma década (2026–2035).

The request. Uma catalytic round de R$ 5 milhões em 3 years (≈ US$ 965 mil) — a camada 1 de um arranjo de financiamento misto ( blended finance ) — torna o Centro operante e auditável, conclui o diagnóstico territorial e o Living Lab, lança o campus e o observatório, e de-risca todas as rodadas seguintes. Após o ano 3, receitas próprias e mercados ambientais assumem a operação.

R$ 5 mi

rodada catalítica · 3 years (≈ US$ 965 mil)

5 pillars

7 phases · 6 work packages

2035

referência latino-americana do setor

2 INSTITUTIONAL AND TERRITORIAL OVERVIEW

2.1 The proponent — Instituto Nova Dimensão

O Instituto Nova Dimensão é a organização proponente e responsável institucional pelo Centro. Acumula trajetória reconhecida em frentes diretamente relevantes ao projeto:

  • Consolidated expertise — vasta experiência em sistemas agroforestryis, educação ambiental, technologys sociais e territorial development aplicado.

  • Training and editorial production — trajetória em formação comunitária, produção de conteúdo técnico e dissemination de conhecimento para diferentes públicos e territórios.

This body of technical authority é determinante para o investidor: o projeto carrega trajetória comprovada, not merely intention .

2.2 The knowledge legacy — a obra sobre Ernst Götsch (Instituto Nova Era)

Soma-se ao projeto um ativo de conhecimento singular: o Instituto Nova Era é responsável pela compilação e publicação da única obra existente sobre o conhecimento de Ernst Götsch — principal referência mundial da agricultura sintrópica e agroforestryl —, escrita em conjunto com o próprio Götsch. Trata-se de um registro biográfico e técnico sem equivalente, que consolida o ecossistema do projeto como polo de conhecimento regenerativo e confere autoridade técnica difícil de replicar.

A obra possui edição internacional e edição brasileira , ambas consideradas neste plano como referência intelectual fundadora do Centro (ver References).

2.3 Technical preparation — ElevaD Consulting

A estruturação técnica deste Plano de Trabalho — modelagem institucional, arquitetura de financiamento, governança, conformidade normativa, plano de monitoramento e organização em work packages — é de responsabilidade da ElevaD Consulting , que assina a elaboração do documento.

2.4 The territory — Sítio São Sebastião

Sítio São Sebastião, em Terra Roxa/SP, é mais do que uma propriedade rural: é um território com histórico e experiência prática consolidados, situado em posição estratégica e com ativos produtivos já em operação. Reúne as condições raras de servir, simultaneamente, como base de pesquisa, vitrine de technology e campus de formação — o que o habilita a se tornar um laboratório vivo de referência nacional e internacional .

3 CONTEXT AND RATIONALE

For most of economic history, biodiversity was treated as an externality — algo fora da planilha. That has ended. A leitura institucional dominante hoje é que metade da economia mundial depende de ecossistemas funcionais, e que seu colapso é um risco material, não moral. Três números resumem a virada:

US$ 44 tri

do PIB global dependem da natureza

US$ 10,1 tri

em oportunidades nature-positive até 2030

12 mi ha

meta de restauração do Brasil até 2030

3.1 The global scenario: nature has become a financial risk thesis

  • US$ 44 trilhões — mais da metade do PIB global — dependem moderada ou altamente da natureza.

  • A perda de biodiversity e o colapso de ecossistemas estão entre os três maiores riscos globais da próxima década, com potencial de reduzir o PIB mundial em até US$ 2,7 trilhões por ano até 2030.

  • Em contrapartida, a transição para uma economia nature-positive pode gerar US$ 10,1 trilhões em business opportunities e 395 milhões de empregos até 2030 .

3.2 The regulatory framework: a ISO 17298 e o novo padrão internacional

Em outubro de 2025 , a ISO publicou a ISO 17298 ( Biodiversity: Considering biodiversity in the strategy and operations of organizations ), a primeira Norma Internacional dedicada a orientar organizações na incorporação da biodiversity em sua estratégia, operações e decisões. Desenvolvida pelo Comitê Técnico ISO/TC 331, com especialistas de mais de 60 países, ela:

  • aplica-se a qualquer organização — empresas, instituições públicas, municípios, ONGs — de qualquer porte e setor;

  • complementa a ISO 14001 (management ambiental) e a ISO 26000 (responsabilidade social);

  • foi construída sobre a abordagem LEAP da TNFD ( Taskforce on Nature-related Financial Disclosures );

  • contribui diretamente para o Milestone Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal e para os Objectives de Desenvolvimento Sustentável.

A virada conceitual deste projeto: ele deixa de ser percebido como iniciativa agrícola e passa a ser lido como um Centro de P&D alinhado às mais recentes normas internacionais de biodiversity — capaz de produzir dados de biodiversity críveis e comparáveis, exatamente o tipo de dado que informa decisões de investimento e destrava acesso a finanças verdes.

3.3 The political framework: there is a window, and it has a deadline

O Milestone Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal , adotado por 195 países, estabeleceu 23 metas para 2030, entre elas proteger 30% das áreas terrestres e marinhas e to restore 30% dos degraded ecosystems (a meta “30x30”), e mobilizar US$ 200 bilhões por ano para biodiversity até 2030. Estima-se que os fluxos financeiros para biodiversity precisem saltar para US$ 700 bilhões a US$ 1 trilhão por ano até 2030 — um volume sem precedentes de capital buscando exatamente o tipo de solução que este Centro desenvolve, valida e ensina.

3.4 The Brazil angle: the right country at the right time

  • O Brasil é a nação mais biodiversa da Terra , abrigando 15–18% das espécies conhecidas.

  • Lançou na COP16 (out/2024) o Planaveg 2.0 , com a meta de to restore 12 million hectares até 2030 , com potencial de gerar mais de 2,5 milhões de empregos .

  • 75% dessa meta recai sobre terras privadas , com crédito de baixo custo e projetos de carbono como incentivos centrais.

  • Programas federais já adotam sistemas agroforestryis como o método para to restore terra degradada e gerar renda simultaneamente.

A lacuna que o Centro preenche: o Brasil tem a meta, a biodiversity e o método — mas dispõe de pouquíssima infraestrutura permanente de pesquisa aplicada capaz de validar, padronizar e ensinar esse método em escala e em padrão internacional. É essa infraestrutura que se propõe construir.

3.5 The market: a agroforestry lidera o segmento de maior crescimento

The market global de agricultura regenerativa está avaliado entre US$ 10 e 15 bilhões em 2025, com projeções que o levam a US$ 20–48 bilhões no início da próxima década, crescendo entre 14% e 18% ao ano.

Indicador de mercado

Situação / projeção

Tamanho do mercado (2025)

US$ 10–15 bilhões

Projection (início da próxima década)

US$ 20–48 bilhões

Crescimento anual (CAGR)

14% a 18% ao ano

Participação da agroforestry

~41% — o maior segmento de prática

Segmentos de crescimento mais rápido

Instituições financeiras e serviços de assessoria

Dois pontos importam para a tese: a agroforestry é o maior segmento de prática do mercado, e a demanda que mais cresce é por conhecimento, validação e certificação — exatamente o produto central deste Centro.

4 POSITIONING AND INSTITUTIONAL IDENTITY

O Sítio não será apresentado como uma fazenda experimental tradicional . Será estruturado como um território permanente de experimentação, aprendizado e validação tecnológica , dedicado a soluções para segurança alimentar e mudanças climáticas, recuperação de solos e conservação hídrica, bioeconomy e agricultura regenerativa, educação ambiental e desenvolvimento regional.

Três naturezas em um só ativo:

Nature

Function

Para quem gera valor

Laboratório vivo

Pesquisa aplicada e generation of auditable data

Universidades, governments, multilateral organizations

Showroom de inovação

Validation e demonstration de technology em real field conditions

Agtechs, agribusiness, investors

Campus aberto

Training e dissemination de replicable method

Students, producers, managers, replication networks

5 STRATEGIC DIFFERENTIATORS (O FOSSO COMPETITIVO)

Quatro diferenciais, difíceis de replicar, reduzem o risco de execução e sustentam a tese de investimento.

5.1 Privileged location

Inserido no eixo Ribeirão Preto–Terra Roxa , no coração da maior região agroindustrial do Brasil, com proximidade física de Agrishow, Embrapa, USP, FATEC e IFSP , além de acesso a cooperativas, grandes grupos do agribusiness e ecossistemas de inovação. Isso significa acesso imediato a parceiros, talento, mercado-teste e visibilidade.

5.2 Technical legacy already in operation

The territory não parte de uma hipótese teórica. Já possui sistemas agroforestryis implantados e áreas produtivas em plena operação , áreas de reflorestamento estabelecidas com histórico documentado de monitoramento contínuo e manejo técnico ao longo dos years. É base real, não teórica — experiência prática acumulada que fundamenta o projeto com dados concretos e resultados mensuráveis, reduzindo drasticamente o risco de execução.

5.3 Consolidated intellectual capital

A trajetória do Instituto Nova Dimensão em agroforestrys, educação ambiental, technologys sociais e formação comunitária, somada à autoria, pelo Instituto Nova Era , da única obra publicada sobre o conhecimento de Ernst Götsch — escrita em conjunto com o próprio Götsch, referência mundial da agricultura sintrópica —, confere ao projeto autoridade técnica reconhecida e difícil de replicar.

5.4 Cutting-edge regulatory alignment

Poucas iniciativas no mundo já nascem desenhadas para a ISO 17298 . Esta nasce — o que a posiciona como caso de referência para a própria implementação da norma, um ativo reputacional difícil de replicar e diretamente conversível em acesso a finanças verdes.

6 VISION, MISSION AND OBJECTIVES

6.1 2035 Vision

Ser reconhecido, nacional e internacionalmente, como o principal centro latino-americano de pesquisa aplicada, demonstration tecnológica e formação em agroforestry and regenerative systems , e como referência em territorial development regenerativo no Brasil e na América Latina.

6.2 Mission

Desenvolver, validar e disseminar soluções inovadoras que integrem ciência, produção e educação para a transformação territorial sustentável , atuando sobre agroforestry e agricultura sintrópica, bioeconomy tropical, regeneração ambiental e recuperação de solos, e territorial development regenerativo — conectando conhecimento científico à prática produtiva e ao desenvolvimento regional.

6.3 Strategic objectives

  • Knowledge and technology — produzir conhecimento aplicado, technologys replicáveis, human development e modelos de territorial development sustentável.

  • Multidimensional integration — integrar ciência, produção, educação, inovação e territorial development em um único território vivo e operante.

  • Strategic partnerships — construir parcerias multidisciplinares e multissetoriais com universities, empresas, governments e redes internacionais.

6.4 General objective and specific objectives

General objective: implantar e consolidar, em dez years, uma infraestrutura permanente de pesquisa aplicada, demonstration e formação em agroforestry e regeneração, financeiramente sustentável e alinhada às normas internacionais de biodiversity.

  • OE1 — constituir a governança, a estrutura jurídica e a conformidade internacional do Centro.

  • OE2 — produzir o diagnóstico científico territorial e a infraestrutura de pesquisa, dados e visitação.

  • OE3 — operar um Living Lab agroforestryl com protocolos, dados e monitoramento contínuos.

  • OE4 — formar pessoas e disseminar método por meio de um campus aberto de educação.

  • OE5 — validar e demonstrar technologys regenerativas em escala real.

  • OE6 — publicar indicadores e conhecimento por meio do Observatório Brasileiro da Agrofloresta.

  • OE7 — replicar o modelo em rede nacional e alcançar sustentabilidade financeira.

7 OPERATING MODEL: THE FIVE PILLARS

7.1 Pillar 1 - Applied Research

Produção de conhecimento científico orientado a resultados práticos, em três linhas prioritárias:

  • Agricultura sintrópica e sistemas agroforestryis — pesquisa em SAFs sintrópicos com foco em produtividade, biodiversity funcional e resiliência climática.

  • Regenerative soils and water conservation — recuperação de solos degradados, manejo hídrico, sequestro de carbono e restauração de ecossistemas produtivos.

  • Tropical bioeconomy and biodiversity — modelos econômicos baseados em biodiversity funcional, bioinsumos e cadeias produtivas regenerativas tropicais.

7.2 Pillar 2 - Innovation and Technology

The territory como ambiente permanente de technology validation:

  • Permanent technology validation — território vivo de testes para sensores inteligentes, agricultura de precisão, inteligência artificial e automação agrícola.

  • Bioinputs and smart irrigation — validação de bioinsumos, sistemas de irrigação inteligente, monitoramento remoto e equipamentos regenerativos em condições reais de campo.

  • Living innovation showroom — empresas parceiras testam e demonstram soluções no território, transformando o Centro em referência nacional de inovação aplicada.

7.3 Pillar 3 - Education and Training

Trilhas formativas contínuas e personalizadas:

  • Target audiences — escolas públicas e privadas, ensino técnico, universities e pós-graduação; pesquisadores, producers rurais, managers públicos e comunidades locais.

  • Programs and formats — visitas técnicas, cursos presenciais e online, residências, imersões no território, estágios supervisionados e extensão universitária, com formação prática integrada à pesquisa aplicada.

7.4 Pillar 4 - Territorial Development

Knowledge convertido em impacto regional:

  • Local economy — geração de empregos verdes, valorização de produtos locais e dinamização das cadeias produtivas regenerativas.

  • Technical and scientific tourism — atração de visitantes, pesquisadores, estudantes e managers por meio de visitas técnicas, imersões e eventos de demonstration.

  • Regenerative value chains — estruturação de cadeias integrando produção, beneficiamento, comercialização e impacto socioambiental positivo.

7.5 Pillar 5 - Internationalization

Inserção em redes globais de conhecimento e financiamento:

  • Multilateral organizations — parcerias potenciais com FAO, PNUD, Banco Mundial e IICA.

  • Scientific networks — CIFOR e universities internacionais.

  • Global regenerative agriculture networks — articulação com plataformas e comunidades de prática internacionais.

8 WORK PLAN: WORK PACKAGES (WP)

Seguindo a prática internacional de management de projetos, a execução é organizada em pacotes de trabalho (Work Packages — WP) , cada um com objetivo, atividades, entregáveis, milestones e budget próprios, articulados às sete phases de implementação. A modularidade permite que diferentes financiadores adotem diferentes pacotes — estrutura preferida por multilateral organizations e fundos.

WP

Pacote de trabalho

Phases

Budget

WP1

Governança e Gestão

Phase 1

R$ 0,60 mi

WP2

Diagnóstico Territorial e Infraestrutura

Phases 2 e 4

R$ 1,60 mi

WP3

Pesquisa, Living Lab e Demonstração

Phases 3 e 5

R$ 1,05 mi

WP4

Educação e Campus Aberto

Phase 4

R$ 0,60 mi

WP5

Observatório, Dados e Indicadores

Phase 6

R$ 0,40 mi

WP6

Comunicação e Relações Internacionais

Cross-cutting

R$ 0,35 mi

Reserva técnica

Cross-cutting

R$ 0,40 mi

Total da catalytic round

3 years

R$ 5,00 mi

A Phase 7 (Rede Nacional de Territorys Regenerativos) é deliberadamente posicionada após a catalytic round de três years, a ser financiada pelas receitas próprias já em operação e pelas camadas de impacto e corporativa — quando o modelo já estará validado e de-riscado.

8.1 WP1 — Governance and Management

Objective: constituir a base institucional, jurídica e de conformidade do Centro.

  • Activities: Memorando de Entendimento; constituição do Conselho Estratégico, do Comitê Científico e do Comitê de Innovation; elaboração do plano diretor e da identidade institucional; plano de captação.

  • Deliverables: MoU assinado; estatuto e regimentos; conselhos e comitês instalados; plano diretor; plano de captação.

  • Milestone (M1): governança constituída e estrutura jurídica e de compliance operante. Budget: R$ 0,60 mi (12%).

8.2 WP2 — Territorial Diagnosis and Infrastructure

Objective: produzir a linha de base científica e implantar a infraestrutura de pesquisa e visitação.

  • Activities: inventário ambiental e produtivo; mapeamento georreferenciado; diagnóstico hídrico e de biodiversity; linha de base de indicadores; obras de infraestrutura de pesquisa, viveiro-escola e centro de visitantes.

  • Deliverables: diagnóstico territorial completo; base cartográfica georreferenciada; linha de base (aderente à ISO 17298); infraestrutura física implantada.

  • Milestone (M2): diagnóstico concluído e infraestrutura de base entregue. Budget: R$ 1,60 mi (32%).

8.3 WP3 — Research, Living Lab and Demonstration

Objective: operar a pesquisa aplicada e a demonstration tecnológica em condições reais.

  • Activities: implantação de parcelas experimentais; padronização de protocolos de pesquisa; banco de dados e sistema de monitoramento; campos demonstrativos e showroom tecnológico permanente.

  • Deliverables: Living Lab operante; protocolos publicados; banco de dados; campos demonstrativos; primeiras publicações.

  • Milestone (M3): Living Lab gerando dados e demonstration tecnológica ativa. Budget: R$ 1,05 mi (21%).

8.4 WP4 — Education and Open Campus

Objective: formar pessoas e disseminar método.

  • Activities: trilhas educativas temáticas; viveiro-escola e espaços demonstrativos; programas de visitas, cursos, residências e extensão universitária.

  • Deliverables: campus aberto operante; primeira coorte de estudantes e visitantes; programas de formação ativos.

  • Milestone (M4): campus em operação com público formado. Budget: R$ 0,60 mi (12%).

8.5 WP5 — Observatory, Data and Indicators

Objective: tornar público e comparável o conhecimento gerado.

  • Activities: desenvolvimento e lançamento da plataforma digital; publicação contínua de indicadores ambientais, produtivos e sociais; relatórios anuais e publicações técnico-científicas.

  • Deliverables: Observatório Brasileiro da Agrofloresta no ar; indicadores públicos; relatório anual.

  • Milestone (M5): Observatório lançado com dados abertos. Budget: R$ 0,40 mi (8%).

8.6 WP6 — Communications and International Relations

Objective: posicionar o Centro e articular parcerias e financiamento.

  • Activities (transversais): comunicação institucional; articulação com FAO, PNUD, Banco Mundial, IICA, CIFOR e universities; estruturação do arranjo de financiamento misto.

  • Deliverables: identidade e plataforma de comunicação; primeiras cartas de intenção/parcerias internacionais.

  • Milestone (M6): primeiras parcerias internacionais formalizadas. Budget: R$ 0,35 mi (7%).

9 IMPLEMENTATION PHASES

As sete phases detalham a sequência de execução dos work packages ao longo da década.

Phase 1 — Estruturação Institucional (0–6 meses). Memorando de Entendimento; Conselho Estratégico; Comitê Científico e de Innovation; plano diretor, identidade institucional e plano de captação de recursos e parcerias.

Phase 2 — Diagnóstico Científico Territorial (6–12 meses). Inventário ambiental e produtivo completo; mapeamento georreferenciado; linha de base dos indicadores; diagnóstico hídrico e de biodiversity.

Phase 3 — Living Lab Agroflorestal (Ano 1). Áreas experimentais com diferentes sistemas agroforestryis; protocolos de pesquisa padronizados; banco de dados e monitoramento contínuo dos indicadores de desempenho.

Phase 4 — Campus Aberto de Educação (Ano 1–2). Trilhas educativas temáticas; viveiro-escola e espaços demonstrativos; centro de visitantes para estudantes, pesquisadores e público geral.

Phase 5 — Centro de Demonstração Tecnológica (Ano 2). Campos demonstrativos com technologys regenerativas em escala real; showroom tecnológico permanente (sensores, IA agrícola, bioinsumos, irrigação inteligente, equipamentos regenerativos).

Phase 6 — Observatório Brasileiro da Agrofloresta (Ano 3). Plataforma digital pública com dados, pesquisas e mapas; indicadores públicos de acesso aberto; relatórios anuais e publicações técnico-científicas.

Phase 7 — Rede Nacional de Territorys Regenerativos (Ano 4–5). Metodologia replicável documentada; formação de núcleos parceiros regionais; programas de certificação para práticas agroforestryis e regenerativas com reconhecimento nacional.

10 GENERAL TIMELINE

Distribuição das linhas de ação ao longo da década (● em operação · ●● fase de pico):

Linha de ação

A0

A1

A2

A3

A4

A5

6–10

Governança e management (WP1)

●●

Diagnóstico e infraestrutura (WP2)

●●

Pesquisa / Living Lab / Demonstração (WP3)

●●

●●

●●

Educação / Open campus (WP4)

●●

●●

●●

●●

●●

Observatório / Dados (WP5)

●●

●●

●●

●●

Comunicação / Internacional (WP6)

●●

●●

●●

●●

Rede de réplica / Certificação (Phase 7)

●●

●●

●●

11 GOVERNANCE AND COMPLIANCE

A credibilidade internacional do Centro depende tanto da ciência quanto da estrutura de governança e da conformidade jurídica. Esta seção responde à pergunta que todo financiador faz: quem decide, com qual controle, sob qual regime legal?

11.1 Estrutura decisória

  • Conselho Estratégico — direção, parcerias institucionais e prestação de contas, com representantes de ciência, inovação, setor produtivo e sociedade civil.

  • Comitê Científico — define agenda de pesquisa, protocolos e validação de resultados.

  • Comitê de Innovation — articula empresas, agtechs e technology validation.

  • Coordenação Executiva — operação, equipe e execução do plano de trabalho.

  • Conselho Fiscal — controle contábil e compliance financeiro.

11.2 Conformidade e instrumentos jurídicos

  • Modelo estatutário robusto e classificação adequada da organização (qualificações como OSCIP/CEBAS quando aplicável).

  • Aplicação do MROSC (Milestone Regulatório das Organizações da Sociedade Civil) nas parcerias com o poder público.

  • Compliance contábil e auditoria independente — pré-requisito para capital institucional e multilateral.

  • Política de propriedade intelectual e de dados de pesquisa.

11.3 Conformidade normativa internacional (o diferencial)

O Centro será desenhado, desde a estruturação, em aderência à ISO 17298 (biodiversity na estratégia e operações) e à ISO 14001 (management ambiental), produzindo dados de biodiversity comparáveis e auditáveis. Essa aderência converte cada hectare manejado em evidência certificável — base para crédito de carbono, crédito de biodiversity e acesso a finanças verdes.

12 FINANCIAL MODEL AND SUSTAINABILITY PLAN

O que se pede, no que se aplica e o que acontece depois que o aporte inicial acaba? A resposta é um financiamento misto na entrada e múltiplas receitas próprias na operação.

12.1 The request — catalytic round

Solicita-se uma rodada catalítica de R$ 5 milhões, ao longo de 3 years (≈ US$ 965 mil, ao câmbio de referência). É a camada 1 do financiamento misto : pequena o bastante para sair de um ou dois âncoras; grande o bastante para tornar o Centro operante e auditável — e de-riscar todas as rodadas seguintes.

R$ 5 mi

aporte total da rodada · 3 years

US$ 965 mil

equivalente em dólares (referência)

Camada 1

de um arranjo blended finance

12.2 Budget por pacote de trabalho

Pacote de trabalho

Valor (R$)

%

Aplicação principal

WP1 — Governance and Management

600 mil

12%

Conselhos, estatuto, plano diretor, captação

WP2 — Diagnóstico e Infraestrutura

1,60 mi

32%

Inventário, mapeamento, infraestrutura

WP3 — Research, Living Lab and Demonstration

1,05 mi

21%

Parcelas, protocolos, dados, campos

WP4 — Education and Open Campus

600 mil

12%

Trilhas, viveiro-escola, visitantes

WP5 — Observatório e Dados

400 mil

8%

Plataforma, indicadores públicos

WP6 — Comunicação e Internacional

350 mil

7%

Articulação multilateral, comunicação

Reserva técnica

400 mil

8%

Contingência

Total

5,00 mi

100%

12.3 Budget por natureza

Nature

Valor (R$)

%

CAPEX — implantação (infraestrutura, equipamentos, áreas, dados)

2,15 mi

43%

OPEX — operação (equipe técnica, científica e educacional, manejo, plataforma)

2,45 mi

49%

Reserva técnica

0,40 mi

8%

Total

5,00 mi

100%

12.4 Distribuição por ano

Ano

Aporte (R$)

%

Foco do ano

Ano 1

2,0 mi

40%

Governança, estrutura jurídica e infraestrutura de base

Ano 2

1,7 mi

34%

Living Lab, campus aberto e demonstration tecnológica

Ano 3

1,3 mi

26%

Observatório, publicações e virada de sustentabilidade

Total

5,0 mi

100%

12.5 Arquitetura de financiamento misto (blended finance)

Nenhuma fonte isolada sustenta uma infraestrutura desta natureza. A proposta combina quatro camadas de capital com perfis distintos de risco e retorno:

Camada

Source

Papel

Catalítica

Filantropia, fundações, editais (FINEP, fundos socioambientais)

Financia bens públicos: pesquisa, diagnóstico, formação

De impacto

Investidores de impacto, fundos temáticos

Financia infraestrutura com retorno via receitas próprias

Mercados ambientais

Crédito de carbono e de biodiversity

Monetiza o resultado regenerativo gerado no território

Corporativa

Patrocínio e P&D de empresas e agtechs

Financia o showroom e a technology validation

12.6 Receitas próprias e a virada de sustentabilidade

Cinco fontes de receita própria assumem progressivamente a operação:

  • Educação — cursos, residências, imersões e certificações.

  • Serviços técnicos — technology validation e consultoria de implantação a empresas.

  • Turismo técnico-científico — visitação, eventos e experiências educacionais.

  • Mercados ambientais — crédito de carbono e de biodiversity gerados no território.

  • Convênios e cooperação — parcerias com universities, governments e organismos internacionais.

Tese de sustentabilidade: depois do ano 3, a dependência de capital catalítico cai e as receitas próprias — sobretudo educação, serviços e mercados ambientais — assumem a operação. O Observatório (Phase 6) e a Rede de Réplica (Phase 7) são, além de entregas de impacto, produtos escaláveis de receita .

12.7 Mapa de fontes de financiamento e receita (Brasil e mundo)

A sustentabilidade do Centro apoia-se em um leque amplo de fontes, combinadas por pacote de trabalho. Reúnem-se a seguir as principais fontes de receita própria , de fomento nacional , de fomento e investimento internacional e de mercados ambientais aplicáveis a um centro de pesquisa, demonstration e formação em agroforestry e regeneração.

12.7.1 Receitas próprias do Centro

Source de receita

Descrição

Educação e certificação

Cursos, residências, imersões, certificações e formação a distância

Serviços técnicos

Validation tecnológica, consultoria e assessoria de implantação a empresas e producers

Turismo técnico-científico

Visitação, eventos e experiências educacionais de base regenerativa

Viveiro e bioinsumos

Venda de mudas, sementes e bioinsumos produzidos no território

Licenciamento de método e PI

Royalties de technologys validadas e licenciamento da metodologia de réplica

Convênios e cooperação

Acordos com universities, governments e organismos internacionais

Publicações e dados

Publicações técnicas, relatórios e serviços de dados do Observatório

12.7.2 Fomento e financiamento nacional (Brasil)

Source

Nature

Aplicação ao Centro

FINEP

Subvenção e crédito à inovação

P&D, technology e infraestrutura de pesquisa

FAPESP

Fomento estadual (SP) à pesquisa

Projetos temáticos, PIPE, BIOTA e bolsas

CNPq / CAPES

Fomento federal à pesquisa e bolsas

Pesquisadores, pós-graduação e residências

Embrapii

PD&I cofinanciada com empresas

Desenvolvimento tecnológico aplicado

BNDES — Fundo Clima

Crédito e recursos não reembolsáveis

Restauração, baixo carbono e infraestrutura verde

Funbio

Gestão de recursos para biodiversity

Editais e fundos socioambientais

FNMA / Floresta+ (PSA)

Fomento e pagamento por serviços ambientais

Remuneração por serviços ecossistêmicos

Lei do Bem

Incentivo fiscal a P&D

Dedução de investimentos em inovação (via parceiros)

Crédito rural sustentável (Pronaf / BB)

Crédito

Cadeias produtivas regenerativas e agroforestry

Sebrae / Sistema S (Senar)

Fomento a negócios e formação

Cadeias produtivas e capacitação

Fundações empresariais (Boticário, Itaú, Arapyaú, iCS)

Filantropia e editais

Projetos socioambientais e de clima

Títulos verdes / debêntures

Mercado de capitais

Captação para infraestrutura sustentável

12.7.3 Fomento e investimento internacional

Source

Nature

Aplicação ao Centro

GEF — Global Environment Facility

Fundo multilateral de meio ambiente

Biodiversidade, uso da terra e clima

Green Climate Fund (GCF)

Fundo climático da ONU

Mitigation, adaptação e restauração

FAO, PNUD, Banco Mundial, IICA, FIDA

Cooperação multilateral

Assistência técnica e cofinanciamento de projetos

BID e BID Lab

Banco e laboratório de inovação

Investimento e inovação socioambiental

CAF

Banco de desenvolvimento da América Latina

Infraestrutura verde e desenvolvimento

LEAF Coalition / NICFI (Noruega)

Financiamento de floresta e carbono

Conforme bioma e jurisdição

Filantropia (Bezos Earth Fund, Moore, Rockefeller, CIFF, IKEA, ClimateWorks)

Doações filantrópicas

Clima, biodiversity e restauração

Fundos de capital natural / impacto (Mirova, &Green, responsAbility)

Investimento de impacto

Agrofloresta e uso sustentável da terra

Cooperação bilateral (GIZ/KfW, AFD, JICA)

Cooperação técnica e financeira

Restauração e bioeconomy

União Europeia (Horizon Europe, DeSIRA)

Fomento à pesquisa e inovação

Parcerias científicas internacionais

12.7.4 Mercados ambientais (carbono e biodiversity)

Mercado

Padrão / marco

Aplicação ao Centro

Carbono — mercado voluntário

Verra/VCS, Gold Standard, ART/TREES

Créditos de remoção e conservação

Carbono — mercado regulado (Brasil)

SBCE — Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (Lei 15.042/2024)

Elegibilidade de projetos do território

Crédito de biodiversity

Mercados emergentes alinhados a TNFD e Kunming-Montreal

Monetização de resultados de biodiversity

Pagamento por serviços ambientais (PSA)

Política Nacional de PSA (Lei 14.119/2021)

Remuneração por serviços ecossistêmicos

A elegibilidade a cada fonte depende do bioma, da jurisdição, do enquadramento jurídico da organização e dos critérios de cada edital ou fundo. A estratégia recomendada é combinar, por pacote de trabalho, fomento não reembolsável (bens públicos), investimento de impacto (infraestrutura), receitas próprias (operação) e mercados ambientais (resultado regenerativo) — coerente com a arquitetura de financiamento misto da Seção 12.5.

13 IMPACT INDICATORS AND MONITORING

Metas até 2035, organizadas por dimensão e ancoradas em agendas internacionais:

Dimension

Meta até 2035

Alignment

Knowledge

100 pesquisas aplicadas concluídas e publicadas

ODS 9 e 17

Rede acadêmica

20 universities parceiras (nacionais e internacionais)

ODS 17

Innovation

200 empresas participantes · 50 technologys validadas

ODS 9

Training

10.000 estudantes formados · 100.000 visitantes recebidos

ODS 4

Environment

1 milhão de árvores monitoradas ou implantadas

GBF 30x30 · ODS 13 e 15

Territory

50 municípios impactados

Planaveg · ODS 11

Measurement method (M&E): a linha de base é estabelecida na Phase 2; o monitoramento contínuo ocorre via Living Lab (Phase 3); os indicadores públicos são divulgados no Observatório (Phase 6). Os indicadores ambientais serão produzidos em aderência à ISO 17298 , garantindo comparabilidade internacional e auditabilidade. Relatórios anuais consolidam o avanço de cada meta.

14 LOGICAL FRAMEWORK (LOGICAL FRAMEWORK)

Síntese da lógica de intervenção segundo o método do logical framework, adotado por multilateral organizations e fundos internacionais.

Level

Key indicator

Meio de verificação

Assumptions

Impact

Referência latino-americana consolidada até 2035

Reconhecimento institucional; rede de parceiros

Estabilidade das agendas climáticas e de biodiversity

Objective geral

Infraestrutura permanente e financeiramente sustentável

Demonstrativos financeiros; receitas próprias

Acesso ao financiamento misto previsto

Results

Living Lab, campus e observatório operantes

Relatórios anuais; indicadores públicos

Diagnóstico e infraestrutura concluídos

Outputs

Deliverables dos WP1–WP6

Milestones M1–M6; entregáveis verificáveis

Execução conforme cronograma e budget

15 RISK ANALYSIS AND MITIGATION

Risk

Prob.

Impact

Mitigation

Dependência de fonte única de capital

Medium

High

Financiamento misto em quatro camadas (Seção 12)

Atraso na captação inicial

Medium

Medium

Phaseamento por WP; entregas modulares

Volatilidade dos mercados de carbono/biodiversity

Medium

Medium

Receita diversificada; mercados como camada, não base

Eventos climáticos

High

Medium

Janelas operacionais; a agroforestry aumenta resiliência

Descontinuidade de política pública

Medium

Medium

Independência via receitas próprias; parcerias multilaterais

Rotatividade de equipe técnica

Low

Medium

Capital intelectual institucional; residências internas

16 ALIGNMENT WITH GLOBAL AGENDAS

O Centro não é apenas compatível com as principais agendas internacionais — é uma plataforma de implementação delas:

  • ISO 17298 (2025) — caso de referência para incorporação de biodiversity em estratégia e operações.

  • ISO 14001 / ISO 26000 — management ambiental e responsabilidade social.

  • Milestone Global de Biodiversidade (Kunming-Montreal) — contribuição direta à meta 30x30 e à restauração de ecossistemas.

  • TNFD — geração de dados sobre dependências e impactos relacionados à natureza.

  • ODS da ONU — 4 (educação), 9 (inovação), 11 (comunidades), 13 (clima), 15 (vida terrestre), 17 (parcerias).

  • Planaveg 2.0 / NDC do Brasil — modelo replicável para a meta nacional de 12 milhões de hectares.

17 EXPECTED RESULTS AND LEGACY

Short term (Anos 0–2): estrutura institucional, governança e diagnóstico territorial implantados; Living Lab e Campus Aberto em operação.

Medium term (Anos 3–5): produção científica consistente, Observatório operante, primeiras certificações e início da rede de réplica; receitas próprias assumindo parte crescente da operação.

Long term (Anos 6–10): Centro consolidado como referência latino-americana; metodologia replicada em territórios parceiros; sustentabilidade financeira madura.

Ao final da primeira década, o Sítio São Sebastião será reconhecido nacional e internacionalmente como infraestrutura estratégica de conhecimento — ponto de convergência entre agroforestry, ciência, inovação, educação e territorial development, oferecendo soluções concretas para os desafios ambientais, sociais e econômicos do século XXI.

Um centro de pesquisa: um território vivo de teste, demonstration e compartilhamento do futuro.

18 CONCLUSION AND NEXT STEPS

A convergência é rara e tem prazo: existe um padrão internacional novo (ISO 17298), um volume sem precedentes de capital buscando ativos de natureza, um mercado de agroforestry em expansão liderando seu setor, e um país-chave com meta de restauração e um território já operante pronto para se tornar referência.

O que se propõe não é financiar uma ideia. É estruturar um sistema — com governança robusta, conformidade internacional, receitas próprias e impacto mensurável — que transforma um legado consolidado em plataforma de inovação para as próximas gerações.

Proposed next step: assinatura do Memorando de Entendimento e composição do Conselho Estratégico e do Comitê Científico (Phase 1 / WP1), abrindo a estruturação do arranjo de financiamento misto e a liberação da primeira tranche da catalytic round.

REFERENCES

INSTITUTO NOVA ERA (org.). Obra sobre o conhecimento de Ernst Götsch e a agricultura sintrópica, em coautoria com Ernst Götsch: edição internacional. [S. l.: s. n.].

INSTITUTO NOVA ERA (org.). Obra sobre o conhecimento de Ernst Götsch e a agricultura sintrópica, em coautoria com Ernst Götsch: edição brasileira. Brasil: [s. n.].

AFNOR INTERNATIONAL. ISO 17298: a universal approach to integrating biodiversity into organizational strategies. Paris: AFNOR, 2025.

BRASIL. Ministério do Meio Environment e Mudança do Clima. Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa — Planaveg 2.0. Brasília: MMA, 2024.

CONVENTION ON BIOLOGICAL DIVERSITY (CBD). Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework. Montreal: CBD, 2022.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 17298:2025: biodiversity — considering biodiversity in the strategy and operations of organizations. Genebra: ISO, 2025.

PRECEDENCE RESEARCH. Regenerative agriculture market size 2025 to 2034. [S. l.]: Precedence Research, 2025.

TASKFORCE ON NATURE-RELATED FINANCIAL DISCLOSURES (TNFD). Recommendations of the TNFD. [S. l.]: TNFD, 2023.

WORLD ECONOMIC FORUM (WEF). The future of nature and business. Genebra: WEF, 2020.

WORLD ECONOMIC FORUM (WEF). Global risks report 2024. Genebra: WEF, 2024.

WORLD RESOURCES INSTITUTE (WRI). Brazil announces goal of restoring degraded land by 2030. Washington: WRI, 2024.

Consultoria Eleva-D Consultoria em Governança, Innovation e Captação de Recursos

I N S T I T U T O N O V A D I M E N S Ã O

Bio CERNE

Centro de Estudos Regenerativos da Nova Era

Pesquisa aplicada em agrofloresta, bioeconomia e desenvolvimento territorial regenerativo

PLANO DE TRABALHO · MASTER PLAN 2026–2035

Sítio São Sebastião — Terra Roxa · São Paulo · Brasil

2026

Proponente · Instituto Nova Dimensão

Elaboração técnica · ElevaD Consultoria

BioCERNE

Centro de Estudos Regenerativos da Nova Era

PLANO DE TRABALHO

Plano de trabalho estruturado segundo padrões internacionais de gestão de projetos (estrutura de pacotes de trabalho, quadro lógico, marcos, orçamento e monitoramento), elaborado para apresentação a investidores, organismos multilaterais, universidades e parceiros institucionais, com vistas à estruturação, ao financiamento e à implantação de um centro de pesquisa aplicada em agrofloresta, bioeconomia e desenvolvimento territorial regenerativo, alinhado às normas internacionais de gestão da biodiversidade.

Proponente: Instituto Nova Dimensão

Elaboração técnica: ElevaD Consultoria

Terra Roxa — São Paulo — Brasil

2026

SUMÁRIO

1 Sumário executivo 4

2 Apresentação institucional e do território 5

3 Contexto e justificativa 7

4 Posicionamento e identidade institucional 11

5 Diferenciais estratégicos (o fosso competitivo) 12

6 Visão, missão e objetivos 14

7 Modelo de atuação: os cinco pilares 16

8 Plano de trabalho: pacotes de trabalho (WP) 19

9 Fases de implementação 23

10 Cronograma geral 25

11 Governança e conformidade 26

12 Modelo financeiro e plano de sustentabilidade 28

13 Indicadores de impacto e monitoramento 32

14 Quadro lógico (logical framework) 34

15 Análise de riscos e mitigação 35

16 Alinhamento com agendas globais 36

17 Resultados esperados e legado 37

18 Conclusão e próximos passos 38

Referências 39

1 SUMÁRIO EXECUTIVO

O Sítio São Sebastião, em Terra Roxa/SP, será estruturado como o BioCERNE — Centro de Estudos Regenerativos da Nova Era: uma infraestrutura estratégica de conhecimento que integra, em um único território vivo e operante, pesquisa científica aplicada, validação tecnológica, formação humana e desenvolvimento territorial em sistemas agroflorestais e regenerativos.

O problema. Mais da metade do PIB mundial — cerca de US$ 44 trilhões — depende da natureza, e a perda de biodiversidade já figura entre os três maiores riscos globais da década. O mundo fixou metas (restaurar 30% dos ecossistemas degradados até 2030) e, pela primeira vez, dispõe de um padrão internacional para incorporá-la — a ISO 17298, publicada em outubro de 2025. Falta o que sempre faltou: infraestrutura permanente capaz de transformar compromisso em método replicável e auditável.

A oportunidade. O Brasil é a nação mais biodiversa do planeta e assumiu o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030 (Planaveg 2.0), tendo a agrofloresta como método central. A transição para uma economia nature-positive representa, segundo o Fórum Econômico Mundial, US$ 10,1 trilhões em oportunidades de negócio e 395 milhões de empregos até 2030. O mercado global de agricultura regenerativa cresce a dois dígitos ao ano — e a agrofloresta é o seu maior segmento.

A solução. Não uma fazenda experimental, mas uma infraestrutura estratégica de conhecimento: um território que já opera com sistemas agroflorestais consolidados, no coração do maior polo agroindustrial do país, capaz de desenvolver, validar, demonstrar e ensinar soluções em padrão internacional — alinhado à ISO 17298, à ISO 14001 e ao Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal.

O modelo de execução. O plano se organiza em cinco pilares(pesquisa, inovação, educação, desenvolvimento territorial e internacionalização), sete fases de implantação e seis pacotes de trabalho com entregáveis, marcos e orçamento definidos, ao longo de uma década (2026–2035).

O pedido. Uma rodada catalítica de R$ 5 milhões em 3 anos(≈ US$ 965 mil) — a camada 1 de um arranjo de financiamento misto ( blended finance ) — torna o Centro operante e auditável, conclui o diagnóstico territorial e o Living Lab, lança o campus e o observatório, e de-risca todas as rodadas seguintes. Após o ano 3, receitas próprias e mercados ambientais assumem a operação.

R$ 5 mi

rodada catalítica · 3 anos (≈ US$ 965 mil)

5 pilares

7 fases · 6 pacotes de trabalho

2035

referência latino-americana do setor

2 APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL E DO TERRITÓRIO

2.1 O proponente — Instituto Nova Dimensão

O Instituto Nova Dimensão é a organização proponente e responsável institucional pelo Centro. Acumula trajetória reconhecida em frentes diretamente relevantes ao projeto:

  • Expertise consolidada — vasta experiência em sistemas agroflorestais, educação ambiental, tecnologias sociais e desenvolvimento territorial aplicado.

  • Formação e produção editorial — trajetória em formação comunitária, produção de conteúdo técnico e disseminação de conhecimento para diferentes públicos e territórios.

Esse acervo de autoridade técnica é determinante para o investidor: o projeto carrega trajetória comprovada, não apenas intenção.

2.2 O legado de conhecimento — a obra sobre Ernst Götsch (Instituto Nova Era)

Soma-se ao projeto um ativo de conhecimento singular: o Instituto Nova Era é responsável pela compilação e publicação da única obra existente sobre o conhecimento de Ernst Götsch — principal referência mundial da agricultura sintrópica e agroflorestal —, escrita em conjunto com o próprio Götsch. Trata-se de um registro biográfico e técnico sem equivalente, que consolida o ecossistema do projeto como polo de conhecimento regenerativo e confere autoridade técnica difícil de replicar.

A obra possui edição internacional e edição brasileira, ambas consideradas neste plano como referência intelectual fundadora do Centro (ver Referências).

2.3 A elaboração técnica — ElevaD Consultoria

A estruturação técnica deste Plano de Trabalho — modelagem institucional, arquitetura de financiamento, governança, conformidade normativa, plano de monitoramento e organização em pacotes de trabalho — é de responsabilidade da ElevaD Consultoria, que assina a elaboração do documento.

2.4 O território — Sítio São Sebastião

O Sítio São Sebastião, em Terra Roxa/SP, é mais do que uma propriedade rural: é um território com histórico e experiência prática consolidados, situado em posição estratégica e com ativos produtivos já em operação. Reúne as condições raras de servir, simultaneamente, como base de pesquisa, vitrine de tecnologia e campus de formação — o que o habilita a se tornar um laboratório vivo de referência nacional e internacional.

3 CONTEXTO E JUSTIFICATIVA

Durante a maior parte da história econômica, a biodiversidade foi tratada como externalidade — algo fora da planilha. Isso acabou. A leitura institucional dominante hoje é que metade da economia mundial depende de ecossistemas funcionais, e que seu colapso é um risco material, não moral. Três números resumem a virada:

US$ 44 tri

do PIB global dependem da natureza

US$ 10,1 tri

em oportunidades nature-positive até 2030

12 mi ha

meta de restauração do Brasil até 2030

3.1 O cenário global: a natureza virou tese de risco financeiro

  • US$ 44 trilhões — mais da metade do PIB global — dependem moderada ou altamente da natureza.

  • A perda de biodiversidade e o colapso de ecossistemas estão entre os três maiores riscos globais da próxima década, com potencial de reduzir o PIB mundial em até US$ 2,7 trilhões por ano até 2030.

  • Em contrapartida, a transição para uma economia nature-positive pode gerar US$ 10,1 trilhões em oportunidades de negócio e 395 milhões de empregos até 2030.

3.2 O marco regulatório: a ISO 17298 e o novo padrão internacional

Em outubro de 2025, a ISO publicou a ISO 17298( Biodiversity: Considering biodiversity in the strategy and operations of organizations ), a primeira Norma Internacional dedicada a orientar organizações na incorporação da biodiversidade em sua estratégia, operações e decisões. Desenvolvida pelo Comitê Técnico ISO/TC 331, com especialistas de mais de 60 países, ela:

  • aplica-se a qualquer organização — empresas, instituições públicas, municípios, ONGs — de qualquer porte e setor;

  • complementa a ISO 14001(gestão ambiental) e a ISO 26000(responsabilidade social);

  • foi construída sobre a abordagem LEAP da TNFD( Taskforce on Nature-related Financial Disclosures );

  • contribui diretamente para o Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal e para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A virada conceitual deste projeto: ele deixa de ser percebido como iniciativa agrícola e passa a ser lido como um Centro de P&D alinhado às mais recentes normas internacionais de biodiversidade — capaz de produzir dados de biodiversidade críveis e comparáveis, exatamente o tipo de dado que informa decisões de investimento e destrava acesso a finanças verdes.

3.3 O marco político: existe uma janela, e ela tem prazo

O Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, adotado por 195 países, estabeleceu 23 metas para 2030, entre elas proteger 30% das áreas terrestres e marinhas e restaurar 30% dos ecossistemas degradados(a meta “30x30”), e mobilizar US$ 200 bilhões por ano para biodiversidade até 2030. Estima-se que os fluxos financeiros para biodiversidade precisem saltar para US$ 700 bilhões a US$ 1 trilhão por ano até 2030 — um volume sem precedentes de capital buscando exatamente o tipo de solução que este Centro desenvolve, valida e ensina.

3.4 O ângulo Brasil: o país certo, na hora certa

  • O Brasil é a nação mais biodiversa da Terra, abrigando 15–18% das espécies conhecidas.

  • Lançou na COP16 (out/2024) o Planaveg 2.0, com a meta de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, com potencial de gerar mais de 2,5 milhões de empregos.

  • 75% dessa meta recai sobre terras privadas, com crédito de baixo custo e projetos de carbono como incentivos centrais.

  • Programas federais já adotam sistemas agroflorestais como o método para restaurar terra degradada e gerar renda simultaneamente.

A lacuna que o Centro preenche: o Brasil tem a meta, a biodiversidade e o método — mas dispõe de pouquíssima infraestrutura permanente de pesquisa aplicada capaz de validar, padronizar e ensinar esse método em escala e em padrão internacional. É essa infraestrutura que se propõe construir.

3.5 O mercado: a agrofloresta lidera o segmento de maior crescimento

O mercado global de agricultura regenerativa está avaliado entre US$ 10 e 15 bilhões em 2025, com projeções que o levam a US$ 20–48 bilhões no início da próxima década, crescendo entre 14% e 18% ao ano.

Indicador de mercado Situação / projeção
Tamanho do mercado (2025) US$ 10–15 bilhões
Projeção (início da próxima década) US$ 20–48 bilhões
Crescimento anual (CAGR) 14% a 18% ao ano
Participação da agrofloresta ~41% — o maior segmento de prática
Segmentos de crescimento mais rápido Instituições financeiras e serviços de assessoria

Dois pontos importam para a tese: a agrofloresta é o maior segmento de prática do mercado, e a demanda que mais cresce é por conhecimento, validação e certificação — exatamente o produto central deste Centro.

4 POSICIONAMENTO E IDENTIDADE INSTITUCIONAL

O Sítio não será apresentado como uma fazenda experimental tradicional. Será estruturado como um território permanente de experimentação, aprendizado e validação tecnológica, dedicado a soluções para segurança alimentar e mudanças climáticas, recuperação de solos e conservação hídrica, bioeconomia e agricultura regenerativa, educação ambiental e desenvolvimento regional.

Três naturezas em um só ativo:

Natureza Função Para quem gera valor
Laboratório vivo Pesquisa aplicada e geração de dados auditáveis Universidades, governos, organismos multilaterais
Showroom de inovação Validação e demonstração de tecnologia em campo real Agtechs, agronegócio, investidores
Campus aberto Formação e disseminação de método replicável Estudantes, produtores, gestores, redes de réplica

5 DIFERENCIAIS ESTRATÉGICOS (O FOSSO COMPETITIVO)

Quatro diferenciais, difíceis de replicar, reduzem o risco de execução e sustentam a tese de investimento.

5.1 Localização privilegiada

Inserido no eixo Ribeirão Preto–Terra Roxa, no coração da maior região agroindustrial do Brasil, com proximidade física de Agrishow, Embrapa, USP, FATEC e IFSP, além de acesso a cooperativas, grandes grupos do agronegócio e ecossistemas de inovação. Isso significa acesso imediato a parceiros, talento, mercado-teste e visibilidade.

5.2 Legado técnico já operante

O território não parte de uma hipótese teórica. Já possui sistemas agroflorestais implantados e áreas produtivas em plena operação, áreas de reflorestamento estabelecidas com histórico documentado de monitoramento contínuo e manejo técnico ao longo dos anos. É base real, não teórica — experiência prática acumulada que fundamenta o projeto com dados concretos e resultados mensuráveis, reduzindo drasticamente o risco de execução.

5.3 Capital intelectual consolidado

A trajetória do Instituto Nova Dimensão em agroflorestas, educação ambiental, tecnologias sociais e formação comunitária, somada à autoria, pelo Instituto Nova Era, da única obra publicada sobre o conhecimento de Ernst Götsch — escrita em conjunto com o próprio Götsch, referência mundial da agricultura sintrópica —, confere ao projeto autoridade técnica reconhecida e difícil de replicar.

5.4 Alinhamento normativo de vanguarda

Poucas iniciativas no mundo já nascem desenhadas para a ISO 17298. Esta nasce — o que a posiciona como caso de referência para a própria implementação da norma, um ativo reputacional difícil de replicar e diretamente conversível em acesso a finanças verdes.

6 VISÃO, MISSÃO E OBJETIVOS

6.1 Visão 2035

Ser reconhecido, nacional e internacionalmente, como o principal centro latino-americano de pesquisa aplicada, demonstração tecnológica e formação em sistemas agroflorestais e regenerativos, e como referência em desenvolvimento territorial regenerativo no Brasil e na América Latina.

6.2 Missão

Desenvolver, validar e disseminar soluções inovadoras que integrem ciência, produção e educação para a transformação territorial sustentável, atuando sobre agrofloresta e agricultura sintrópica, bioeconomia tropical, regeneração ambiental e recuperação de solos, e desenvolvimento territorial regenerativo — conectando conhecimento científico à prática produtiva e ao desenvolvimento regional.

6.3 Objetivos estratégicos

  • Conhecimento e tecnologia — produzir conhecimento aplicado, tecnologias replicáveis, formação humana e modelos de desenvolvimento territorial sustentável.

  • Integração multidimensional — integrar ciência, produção, educação, inovação e desenvolvimento territorial em um único território vivo e operante.

  • Parcerias estratégicas — construir parcerias multidisciplinares e multissetoriais com universidades, empresas, governos e redes internacionais.

6.4 Objetivo geral e objetivos específicos

Objetivo geral: implantar e consolidar, em dez anos, uma infraestrutura permanente de pesquisa aplicada, demonstração e formação em agrofloresta e regeneração, financeiramente sustentável e alinhada às normas internacionais de biodiversidade.

  • OE1 — constituir a governança, a estrutura jurídica e a conformidade internacional do Centro.

  • OE2 — produzir o diagnóstico científico territorial e a infraestrutura de pesquisa, dados e visitação.

  • OE3 — operar um Living Lab agroflorestal com protocolos, dados e monitoramento contínuos.

  • OE4 — formar pessoas e disseminar método por meio de um campus aberto de educação.

  • OE5 — validar e demonstrar tecnologias regenerativas em escala real.

  • OE6 — publicar indicadores e conhecimento por meio do Observatório Brasileiro da Agrofloresta.

  • OE7 — replicar o modelo em rede nacional e alcançar sustentabilidade financeira.

7 MODELO DE ATUAÇÃO: OS CINCO PILARES

7.1 Pilar 1 — Pesquisa Aplicada

Produção de conhecimento científico orientado a resultados práticos, em três linhas prioritárias:

  • Agricultura sintrópica e sistemas agroflorestais — pesquisa em SAFs sintrópicos com foco em produtividade, biodiversidade funcional e resiliência climática.

  • Solos regenerativos e conservação da água — recuperação de solos degradados, manejo hídrico, sequestro de carbono e restauração de ecossistemas produtivos.

  • Bioeconomia tropical e biodiversidade — modelos econômicos baseados em biodiversidade funcional, bioinsumos e cadeias produtivas regenerativas tropicais.

7.2 Pilar 2 — Inovação e Tecnologia

O território como ambiente permanente de validação tecnológica:

  • Validação tecnológica permanente — território vivo de testes para sensores inteligentes, agricultura de precisão, inteligência artificial e automação agrícola.

  • Bioinsumos e irrigação inteligente — validação de bioinsumos, sistemas de irrigação inteligente, monitoramento remoto e equipamentos regenerativos em condições reais de campo.

  • Showroom vivo da inovação — empresas parceiras testam e demonstram soluções no território, transformando o Centro em referência nacional de inovação aplicada.

7.3 Pilar 3 — Educação e Formação

Trilhas formativas contínuas e personalizadas:

  • Públicos atendidos — escolas públicas e privadas, ensino técnico, universidades e pós-graduação; pesquisadores, produtores rurais, gestores públicos e comunidades locais.

  • Programas e modalidades — visitas técnicas, cursos presenciais e online, residências, imersões no território, estágios supervisionados e extensão universitária, com formação prática integrada à pesquisa aplicada.

7.4 Pilar 4 — Desenvolvimento Territorial

Conhecimento convertido em impacto regional:

  • Economia local — geração de empregos verdes, valorização de produtos locais e dinamização das cadeias produtivas regenerativas.

  • Turismo técnico e científico — atração de visitantes, pesquisadores, estudantes e gestores por meio de visitas técnicas, imersões e eventos de demonstração.

  • Cadeias produtivas regenerativas — estruturação de cadeias integrando produção, beneficiamento, comercialização e impacto socioambiental positivo.

7.5 Pilar 5 — Internacionalização

Inserção em redes globais de conhecimento e financiamento:

  • Organismos multilaterais — parcerias potenciais com FAO, PNUD, Banco Mundial e IICA.

  • Redes científicas — CIFOR e universidades internacionais.

  • Redes globais de agricultura regenerativa — articulação com plataformas e comunidades de prática internacionais.

8 PLANO DE TRABALHO: PACOTES DE TRABALHO (WP)

Seguindo a prática internacional de gestão de projetos, a execução é organizada em pacotes de trabalho (Work Packages — WP), cada um com objetivo, atividades, entregáveis, marcos e orçamento próprios, articulados às sete fases de implementação. A modularidade permite que diferentes financiadores adotem diferentes pacotes — estrutura preferida por organismos multilaterais e fundos.

WP Pacote de trabalho Fases Orçamento
WP1 Governança e Gestão Fase 1 R$ 0,60 mi
WP2 Diagnóstico Territorial e Infraestrutura Fases 2 e 4 R$ 1,60 mi
WP3 Pesquisa, Living Lab e Demonstração Fases 3 e 5 R$ 1,05 mi
WP4 Educação e Campus Aberto Fase 4 R$ 0,60 mi
WP5 Observatório, Dados e Indicadores Fase 6 R$ 0,40 mi
WP6 Comunicação e Relações Internacionais Transversal R$ 0,35 mi
Reserva técnica Transversal R$ 0,40 mi
Total da rodada catalítica 3 anos R$ 5,00 mi

A Fase 7 (Rede Nacional de Territórios Regenerativos) é deliberadamente posicionada após a rodada catalítica de três anos, a ser financiada pelas receitas próprias já em operação e pelas camadas de impacto e corporativa — quando o modelo já estará validado e de-riscado.

8.1 WP1 — Governança e Gestão

Objetivo: constituir a base institucional, jurídica e de conformidade do Centro.

  • Atividades: Memorando de Entendimento; constituição do Conselho Estratégico, do Comitê Científico e do Comitê de Inovação; elaboração do plano diretor e da identidade institucional; plano de captação.

  • Entregáveis: MoU assinado; estatuto e regimentos; conselhos e comitês instalados; plano diretor; plano de captação.

  • Marco (M1): governança constituída e estrutura jurídica e de compliance operante. Orçamento: R$ 0,60 mi (12%).

8.2 WP2 — Diagnóstico Territorial e Infraestrutura

Objetivo: produzir a linha de base científica e implantar a infraestrutura de pesquisa e visitação.

  • Atividades: inventário ambiental e produtivo; mapeamento georreferenciado; diagnóstico hídrico e de biodiversidade; linha de base de indicadores; obras de infraestrutura de pesquisa, viveiro-escola e centro de visitantes.

  • Entregáveis: diagnóstico territorial completo; base cartográfica georreferenciada; linha de base (aderente à ISO 17298); infraestrutura física implantada.

  • Marco (M2): diagnóstico concluído e infraestrutura de base entregue. Orçamento: R$ 1,60 mi (32%).

8.3 WP3 — Pesquisa, Living Lab e Demonstração

Objetivo: operar a pesquisa aplicada e a demonstração tecnológica em condições reais.

  • Atividades: implantação de parcelas experimentais; padronização de protocolos de pesquisa; banco de dados e sistema de monitoramento; campos demonstrativos e showroom tecnológico permanente.

  • Entregáveis: Living Lab operante; protocolos publicados; banco de dados; campos demonstrativos; primeiras publicações.

  • Marco (M3): Living Lab gerando dados e demonstração tecnológica ativa. Orçamento: R$ 1,05 mi (21%).

8.4 WP4 — Educação e Campus Aberto

Objetivo: formar pessoas e disseminar método.

  • Atividades: trilhas educativas temáticas; viveiro-escola e espaços demonstrativos; programas de visitas, cursos, residências e extensão universitária.

  • Entregáveis: campus aberto operante; primeira coorte de estudantes e visitantes; programas de formação ativos.

  • Marco (M4): campus em operação com público formado. Orçamento: R$ 0,60 mi (12%).

8.5 WP5 — Observatório, Dados e Indicadores

Objetivo: tornar público e comparável o conhecimento gerado.

  • Atividades: desenvolvimento e lançamento da plataforma digital; publicação contínua de indicadores ambientais, produtivos e sociais; relatórios anuais e publicações técnico-científicas.

  • Entregáveis: Observatório Brasileiro da Agrofloresta no ar; indicadores públicos; relatório anual.

  • Marco (M5): Observatório lançado com dados abertos. Orçamento: R$ 0,40 mi (8%).

8.6 WP6 — Comunicação e Relações Internacionais

Objetivo: posicionar o Centro e articular parcerias e financiamento.

  • Atividades (transversais): comunicação institucional; articulação com FAO, PNUD, Banco Mundial, IICA, CIFOR e universidades; estruturação do arranjo de financiamento misto.

  • Entregáveis: identidade e plataforma de comunicação; primeiras cartas de intenção/parcerias internacionais.

  • Marco (M6): primeiras parcerias internacionais formalizadas. Orçamento: R$ 0,35 mi (7%).

9 FASES DE IMPLEMENTAÇÃO

As sete fases detalham a sequência de execução dos pacotes de trabalho ao longo da década.

Fase 1 — Estruturação Institucional (0–6 meses). Memorando de Entendimento; Conselho Estratégico; Comitê Científico e de Inovação; plano diretor, identidade institucional e plano de captação de recursos e parcerias.

Fase 2 — Diagnóstico Científico Territorial (6–12 meses). Inventário ambiental e produtivo completo; mapeamento georreferenciado; linha de base dos indicadores; diagnóstico hídrico e de biodiversidade.

Fase 3 — Living Lab Agroflorestal (Ano 1). Áreas experimentais com diferentes sistemas agroflorestais; protocolos de pesquisa padronizados; banco de dados e monitoramento contínuo dos indicadores de desempenho.

Fase 4 — Campus Aberto de Educação (Ano 1–2). Trilhas educativas temáticas; viveiro-escola e espaços demonstrativos; centro de visitantes para estudantes, pesquisadores e público geral.

Fase 5 — Centro de Demonstração Tecnológica (Ano 2). Campos demonstrativos com tecnologias regenerativas em escala real; showroom tecnológico permanente (sensores, IA agrícola, bioinsumos, irrigação inteligente, equipamentos regenerativos).

Fase 6 — Observatório Brasileiro da Agrofloresta (Ano 3). Plataforma digital pública com dados, pesquisas e mapas; indicadores públicos de acesso aberto; relatórios anuais e publicações técnico-científicas.

Fase 7 — Rede Nacional de Territórios Regenerativos (Ano 4–5). Metodologia replicável documentada; formação de núcleos parceiros regionais; programas de certificação para práticas agroflorestais e regenerativas com reconhecimento nacional.

10 CRONOGRAMA GERAL

Distribuição das linhas de ação ao longo da década (● em operação · ●● fase de pico):

Linha de ação A0 A1 A2 A3 A4 A5 6–10
Governança e gestão (WP1) ●●
Diagnóstico e infraestrutura (WP2) ●●
Pesquisa / Living Lab / Demonstração (WP3) ●● ●● ●●
Educação / Campus aberto (WP4) ●● ●● ●● ●● ●●
Observatório / Dados (WP5) ●● ●● ●● ●●
Comunicação / Internacional (WP6) ●● ●● ●● ●●
Rede de réplica / Certificação (Fase 7) ●● ●● ●●

11 GOVERNANÇA E CONFORMIDADE

A credibilidade internacional do Centro depende tanto da ciência quanto da estrutura de governança e da conformidade jurídica. Esta seção responde à pergunta que todo financiador faz: quem decide, com qual controle, sob qual regime legal?

11.1 Estrutura decisória

  • Conselho Estratégico — direção, parcerias institucionais e prestação de contas, com representantes de ciência, inovação, setor produtivo e sociedade civil.

  • Comitê Científico — define agenda de pesquisa, protocolos e validação de resultados.

  • Comitê de Inovação — articula empresas, agtechs e validação tecnológica.

  • Coordenação Executiva — operação, equipe e execução do plano de trabalho.

  • Conselho Fiscal — controle contábil e compliance financeiro.

11.2 Conformidade e instrumentos jurídicos

  • Modelo estatutário robusto e classificação adequada da organização (qualificações como OSCIP/CEBAS quando aplicável).

  • Aplicação do MROSC(Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil) nas parcerias com o poder público.

  • Compliance contábil e auditoria independente — pré-requisito para capital institucional e multilateral.

  • Política de propriedade intelectual e de dados de pesquisa.

11.3 Conformidade normativa internacional (o diferencial)

O Centro será desenhado, desde a estruturação, em aderência à ISO 17298(biodiversidade na estratégia e operações) e à ISO 14001(gestão ambiental), produzindo dados de biodiversidade comparáveis e auditáveis. Essa aderência converte cada hectare manejado em evidência certificável — base para crédito de carbono, crédito de biodiversidade e acesso a finanças verdes.

12 MODELO FINANCEIRO E PLANO DE SUSTENTABILIDADE

O que se pede, no que se aplica e o que acontece depois que o aporte inicial acaba? A resposta é um financiamento misto na entrada e múltiplas receitas próprias na operação.

12.1 O pedido — rodada catalítica

Solicita-se uma rodada catalítica de R$ 5 milhões, ao longo de 3 anos(≈ US$ 965 mil, ao câmbio de referência). É a camada 1 do financiamento misto: pequena o bastante para sair de um ou dois âncoras; grande o bastante para tornar o Centro operante e auditável — e de-riscar todas as rodadas seguintes.

R$ 5 mi

aporte total da rodada · 3 anos

≈ US$ 965 mil

equivalente em dólares (referência)

Camada 1

de um arranjo blended finance

12.2 Orçamento por pacote de trabalho

Pacote de trabalho Valor (R$) % Aplicação principal
WP1 — Governança e Gestão 600 mil 12% Conselhos, estatuto, plano diretor, captação
WP2 — Diagnóstico e Infraestrutura 1,60 mi 32% Inventário, mapeamento, infraestrutura
WP3 — Pesquisa, Living Lab e Demonstração 1,05 mi 21% Parcelas, protocolos, dados, campos
WP4 — Educação e Campus Aberto 600 mil 12% Trilhas, viveiro-escola, visitantes
WP5 — Observatório e Dados 400 mil 8% Plataforma, indicadores públicos
WP6 — Comunicação e Internacional 350 mil 7% Articulação multilateral, comunicação
Reserva técnica 400 mil 8% Contingência
Total 5,00 mi 100%

12.3 Orçamento por natureza

Natureza Valor (R$) %
CAPEX — implantação (infraestrutura, equipamentos, áreas, dados) 2,15 mi 43%
OPEX — operação (equipe técnica, científica e educacional, manejo, plataforma) 2,45 mi 49%
Reserva técnica 0,40 mi 8%
Total 5,00 mi 100%

12.4 Distribuição por ano

Ano Aporte (R$) % Foco do ano
Ano 1 2,0 mi 40% Governança, estrutura jurídica e infraestrutura de base
Ano 2 1,7 mi 34% Living Lab, campus aberto e demonstração tecnológica
Ano 3 1,3 mi 26% Observatório, publicações e virada de sustentabilidade
Total 5,0 mi 100%

12.5 Arquitetura de financiamento misto (blended finance)

Nenhuma fonte isolada sustenta uma infraestrutura desta natureza. A proposta combina quatro camadas de capital com perfis distintos de risco e retorno:

Camada Fonte Papel
Catalítica Filantropia, fundações, editais (FINEP, fundos socioambientais) Financia bens públicos: pesquisa, diagnóstico, formação
De impacto Investidores de impacto, fundos temáticos Financia infraestrutura com retorno via receitas próprias
Mercados ambientais Crédito de carbono e de biodiversidade Monetiza o resultado regenerativo gerado no território
Corporativa Patrocínio e P&D de empresas e agtechs Financia o showroom e a validação tecnológica

12.6 Receitas próprias e a virada de sustentabilidade

Cinco fontes de receita própria assumem progressivamente a operação:

  • Educação — cursos, residências, imersões e certificações.

  • Serviços técnicos — validação tecnológica e consultoria de implantação a empresas.

  • Turismo técnico-científico — visitação, eventos e experiências educacionais.

  • Mercados ambientais — crédito de carbono e de biodiversidade gerados no território.

  • Convênios e cooperação — parcerias com universidades, governos e organismos internacionais.

Tese de sustentabilidade: depois do ano 3, a dependência de capital catalítico cai e as receitas próprias — sobretudo educação, serviços e mercados ambientais — assumem a operação. O Observatório (Fase 6) e a Rede de Réplica (Fase 7) são, além de entregas de impacto, produtos escaláveis de receita.

12.7 Mapa de fontes de financiamento e receita (Brasil e mundo)

A sustentabilidade do Centro apoia-se em um leque amplo de fontes, combinadas por pacote de trabalho. Reúnem-se a seguir as principais fontes de receita própria, de fomento nacional, de fomento e investimento internacional e de mercados ambientais aplicáveis a um centro de pesquisa, demonstração e formação em agrofloresta e regeneração.

12.7.1 Receitas próprias do Centro

Fonte de receita Descrição
Educação e certificação Cursos, residências, imersões, certificações e formação a distância
Serviços técnicos Validação tecnológica, consultoria e assessoria de implantação a empresas e produtores
Turismo técnico-científico Visitação, eventos e experiências educacionais de base regenerativa
Viveiro e bioinsumos Venda de mudas, sementes e bioinsumos produzidos no território
Licenciamento de método e PI Royalties de tecnologias validadas e licenciamento da metodologia de réplica
Convênios e cooperação Acordos com universidades, governos e organismos internacionais
Publicações e dados Publicações técnicas, relatórios e serviços de dados do Observatório

12.7.2 Fomento e financiamento nacional (Brasil)

Fonte Natureza Aplicação ao Centro
FINEP Subvenção e crédito à inovação P&D, tecnologia e infraestrutura de pesquisa
FAPESP Fomento estadual (SP) à pesquisa Projetos temáticos, PIPE, BIOTA e bolsas
CNPq / CAPES Fomento federal à pesquisa e bolsas Pesquisadores, pós-graduação e residências
Embrapii PD&I cofinanciada com empresas Desenvolvimento tecnológico aplicado
BNDES — Fundo Clima Crédito e recursos não reembolsáveis Restauração, baixo carbono e infraestrutura verde
Funbio Gestão de recursos para biodiversidade Editais e fundos socioambientais
FNMA / Floresta+ (PSA) Fomento e pagamento por serviços ambientais Remuneração por serviços ecossistêmicos
Lei do Bem Incentivo fiscal a P&D Dedução de investimentos em inovação (via parceiros)
Crédito rural sustentável (Pronaf / BB) Crédito Cadeias produtivas regenerativas e agrofloresta
Sebrae / Sistema S (Senar) Fomento a negócios e formação Cadeias produtivas e capacitação
Fundações empresariais (Boticário, Itaú, Arapyaú, iCS) Filantropia e editais Projetos socioambientais e de clima
Títulos verdes / debêntures Mercado de capitais Captação para infraestrutura sustentável

12.7.3 Fomento e investimento internacional

Fonte Natureza Aplicação ao Centro
GEF — Global Environment Facility Fundo multilateral de meio ambiente Biodiversidade, uso da terra e clima
Green Climate Fund (GCF) Fundo climático da ONU Mitigação, adaptação e restauração
FAO, PNUD, Banco Mundial, IICA, FIDA Cooperação multilateral Assistência técnica e cofinanciamento de projetos
BID e BID Lab Banco e laboratório de inovação Investimento e inovação socioambiental
CAF Banco de desenvolvimento da América Latina Infraestrutura verde e desenvolvimento
LEAF Coalition / NICFI (Noruega) Financiamento de floresta e carbono Conforme bioma e jurisdição
Filantropia (Bezos Earth Fund, Moore, Rockefeller, CIFF, IKEA, ClimateWorks) Doações filantrópicas Clima, biodiversidade e restauração
Fundos de capital natural / impacto (Mirova, &Green, responsAbility) Investimento de impacto Agrofloresta e uso sustentável da terra
Cooperação bilateral (GIZ/KfW, AFD, JICA) Cooperação técnica e financeira Restauração e bioeconomia
União Europeia (Horizon Europe, DeSIRA) Fomento à pesquisa e inovação Parcerias científicas internacionais

12.7.4 Mercados ambientais (carbono e biodiversidade)

Mercado Padrão / marco Aplicação ao Centro
Carbono — mercado voluntário Verra/VCS, Gold Standard, ART/TREES Créditos de remoção e conservação
Carbono — mercado regulado (Brasil) SBCE — Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (Lei 15.042/2024) Elegibilidade de projetos do território
Crédito de biodiversidade Mercados emergentes alinhados a TNFD e Kunming-Montreal Monetização de resultados de biodiversidade
Pagamento por serviços ambientais (PSA) Política Nacional de PSA (Lei 14.119/2021) Remuneração por serviços ecossistêmicos
A elegibilidade a cada fonte depende do bioma, da jurisdição, do enquadramento jurídico da organização e dos critérios de cada edital ou fundo. A estratégia recomendada é combinar, por pacote de trabalho, fomento não reembolsável (bens públicos), investimento de impacto (infraestrutura), receitas próprias (operação) e mercados ambientais (resultado regenerativo) — coerente com a arquitetura de financiamento misto da Seção 12.5.

13 INDICADORES DE IMPACTO E MONITORAMENTO

Metas até 2035, organizadas por dimensão e ancoradas em agendas internacionais:

Dimensão Meta até 2035 Alinhamento
Conhecimento 100 pesquisas aplicadas concluídas e publicadas ODS 9 e 17
Rede acadêmica 20 universidades parceiras (nacionais e internacionais) ODS 17
Inovação 200 empresas participantes · 50 tecnologias validadas ODS 9
Formação 10.000 estudantes formados · 100.000 visitantes recebidos ODS 4
Ambiente 1 milhão de árvores monitoradas ou implantadas GBF 30x30 · ODS 13 e 15
Território 50 municípios impactados Planaveg · ODS 11

Método de mensuração (M&E): a linha de base é estabelecida na Fase 2; o monitoramento contínuo ocorre via Living Lab (Fase 3); os indicadores públicos são divulgados no Observatório (Fase 6). Os indicadores ambientais serão produzidos em aderência à ISO 17298, garantindo comparabilidade internacional e auditabilidade. Relatórios anuais consolidam o avanço de cada meta.

14 QUADRO LÓGICO (LOGICAL FRAMEWORK)

Síntese da lógica de intervenção segundo o método do quadro lógico, adotado por organismos multilaterais e fundos internacionais.

Nível Indicador-chave Meio de verificação Pressupostos
Impacto Referência latino-americana consolidada até 2035 Reconhecimento institucional; rede de parceiros Estabilidade das agendas climáticas e de biodiversidade
Objetivo geral Infraestrutura permanente e financeiramente sustentável Demonstrativos financeiros; receitas próprias Acesso ao financiamento misto previsto
Resultados Living Lab, campus e observatório operantes Relatórios anuais; indicadores públicos Diagnóstico e infraestrutura concluídos
Produtos Entregáveis dos WP1–WP6 Marcos M1–M6; entregáveis verificáveis Execução conforme cronograma e orçamento

15 ANÁLISE DE RISCOS E MITIGAÇÃO

Risco Prob. Impacto Mitigação
Dependência de fonte única de capital Média Alto Financiamento misto em quatro camadas (Seção 12)
Atraso na captação inicial Média Médio Faseamento por WP; entregas modulares
Volatilidade dos mercados de carbono/biodiversidade Média Médio Receita diversificada; mercados como camada, não base
Eventos climáticos Alta Médio Janelas operacionais; a agrofloresta aumenta resiliência
Descontinuidade de política pública Média Médio Independência via receitas próprias; parcerias multilaterais
Rotatividade de equipe técnica Baixa Médio Capital intelectual institucional; residências internas

16 ALINHAMENTO COM AGENDAS GLOBAIS

O Centro não é apenas compatível com as principais agendas internacionais — é uma plataforma de implementação delas:

  • ISO 17298 (2025) — caso de referência para incorporação de biodiversidade em estratégia e operações.

  • ISO 14001 / ISO 26000 — gestão ambiental e responsabilidade social.

  • Marco Global de Biodiversidade (Kunming-Montreal) — contribuição direta à meta 30x30 e à restauração de ecossistemas.

  • TNFD — geração de dados sobre dependências e impactos relacionados à natureza.

  • ODS da ONU — 4 (educação), 9 (inovação), 11 (comunidades), 13 (clima), 15 (vida terrestre), 17 (parcerias).

  • Planaveg 2.0 / NDC do Brasil — modelo replicável para a meta nacional de 12 milhões de hectares.

17 RESULTADOS ESPERADOS E LEGADO

Curto prazo (Anos 0–2): estrutura institucional, governança e diagnóstico territorial implantados; Living Lab e Campus Aberto em operação.

Médio prazo (Anos 3–5): produção científica consistente, Observatório operante, primeiras certificações e início da rede de réplica; receitas próprias assumindo parte crescente da operação.

Longo prazo (Anos 6–10): Centro consolidado como referência latino-americana; metodologia replicada em territórios parceiros; sustentabilidade financeira madura.

Ao final da primeira década, o Sítio São Sebastião será reconhecido nacional e internacionalmente como infraestrutura estratégica de conhecimento — ponto de convergência entre agrofloresta, ciência, inovação, educação e desenvolvimento territorial, oferecendo soluções concretas para os desafios ambientais, sociais e econômicos do século XXI.

Um centro de pesquisa: um território vivo de teste, demonstração e compartilhamento do futuro.

18 CONCLUSÃO E PRÓXIMOS PASSOS

A convergência é rara e tem prazo: existe um padrão internacional novo (ISO 17298), um volume sem precedentes de capital buscando ativos de natureza, um mercado de agrofloresta em expansão liderando seu setor, e um país-chave com meta de restauração e um território já operante pronto para se tornar referência.

O que se propõe não é financiar uma ideia. É estruturar um sistema — com governança robusta, conformidade internacional, receitas próprias e impacto mensurável — que transforma um legado consolidado em plataforma de inovação para as próximas gerações.

Próximo passo proposto: assinatura do Memorando de Entendimento e composição do Conselho Estratégico e do Comitê Científico (Fase 1 / WP1), abrindo a estruturação do arranjo de financiamento misto e a liberação da primeira tranche da rodada catalítica.

REFERÊNCIAS

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INSTITUTO NOVA ERA (org.). Obra sobre o conhecimento de Ernst Götsch e a agricultura sintrópica, em coautoria com Ernst Götsch: edição brasileira. Brasil: [s. n.].

AFNOR INTERNATIONAL. ISO 17298: a universal approach to integrating biodiversity into organizational strategies. Paris: AFNOR, 2025.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa — Planaveg 2.0. Brasília: MMA, 2024.

CONVENTION ON BIOLOGICAL DIVERSITY (CBD). Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework. Montreal: CBD, 2022.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 17298:2025: biodiversity — considering biodiversity in the strategy and operations of organizations. Genebra: ISO, 2025.

PRECEDENCE RESEARCH. Regenerative agriculture market size 2025 to 2034. [S. l.]: Precedence Research, 2025.

TASKFORCE ON NATURE-RELATED FINANCIAL DISCLOSURES (TNFD). Recommendations of the TNFD. [S. l.]: TNFD, 2023.

WORLD ECONOMIC FORUM (WEF). The future of nature and business. Genebra: WEF, 2020.

WORLD ECONOMIC FORUM (WEF). Global risks report 2024. Genebra: WEF, 2024.

WORLD RESOURCES INSTITUTE (WRI). Brazil announces goal of restoring degraded land by 2030. Washington: WRI, 2024.

Consultoria Eleva-D Consultoria em Governança, Inovação e Captação de Recursos